quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

As postagens seguintes serão dedicadas à apresentação de quatro grandes paradigmas nos estudos da linguagem:

ESTRUTURALISMO


O estruturalismo surge no século XX, rompendo com certas formas de estudo da linguagem – anteriormente tinha-se uma visão atomística da língua – e passa a descrever aquilo que é sistêmico. Tal corrente dominou os estudos da linguagem e outras ciências por muito tempo.

Sabe-se que o estruturalismo possui diversas vertentes. Dentre elas, destaco: O estruturalismo de base européia e o estruturalismo de base americana. Cada vertente trabalha com objetos distintos, portanto há diferenças epistemológicas.

                                                                       



ESTRUTURALISMO EUROPEU


- Maior referência: Saussure

- Possui dois princípios primordiais: Estrutura e Autonomia

- Considera os elementos lingüísticos em relação, não como termos independentes, mas como integrantes/constituintes do sistema.

- "a língua não é um conglomerado de elementos heterogêneos; é um sistema articulado, onde tudo está ligado, onde tudo é solidário e onde cada elemento tira seu valor de sua posição estrutural" (SAUSSURE apud LEROY, 1971, p. 109)

- A organização da língua se dá internamente, ou seja, o sistema sustenta-se por si só, e independente de fatores que lhe são exteriores.

- Base epistemológica aristotélica.

- Faz uso do método dedutivo: hipotético. (parte do geral para o particular)



ESTRUTURALISMO AMERICANO

- Maior referência: Bloomfield

- Surge da tentativa de descrever as línguas ágrafas dos índios norte-americanos.

- Objeto de estudo: parole

- Baseiam-se em dois princípios: Indivíduo (Destaca a importância do corpus para o estudo de uma língua – coleta dados e depois formula uma generalização). Destacam-se os fenômenos singulares ou individuais, isto é, para se chegar às generalizações ou à teoria, analisam-se aspectos singulares da língua, como os indivíduos utilizam sua língua. Substância (“Os fenômenos devem ser considerados enquanto substância, enquanto materialidade, e não enquanto função. Os fenômenos devem ser identificados pelas propriedades que apresentam à nossa experiência imediata” (BORGES NETO, 2004, p. 106).

- Utiliza o método Indutivo.

- Base epistemológica behaviorista


Em relação ao estruturalismo da escola bloomfieldiana, destacam-se:

1. a língua é, essencialmente, um instrumento de comunicação oral e deve ser descrita a partir daí.

2. a língua é, em primeiro lugar, um instrumento de comunicação e de inter-relacionamento social;

3. a pesquisa de campo deve preceder a descrição;

4. melhores resultados, na descrição lingüística, são obtidos se não for considerado o significado. É preciso ser antimentalista;

5. na análise, deve ser considerada a singularidade de cada língua;

6. a descrição sincrônica deve preceder a diacrônica;

7. as mudanças fonéticas são regulares.




REFERÊNCIAS


Minhas anotações em sala.


NETO, J. B. Ensaios de filosofia da lingüística. São Paulo: Parábola, 2004.

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DForAcepOvoJ:ava.cesad.ufs.br/cat/PDF/Linguistica/Linguistica%2520Aula%25207.pdf+estruturalismo+americano+indiv%C3%ADduo+substancia&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

SAUSSURE, F. de. Curso de lingüística geral. São Paulo: Cultrix, 1969.

BERLINCK, R. A. ; SCHER, A. P. ; AUGUSTO, M. . Sintaxe. In: Fernanda Mussalim; Anna Christina Bentes. (Org.). Introdução à Lingüística. 1 ed. São Paulo: Cortez, 2001, v. 1, p. 214 e 215.




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